terça-feira, 3 de maio de 2016

Socorro, tem um estranho me chamando

Estava em casa num dia normal. Cheguei da faculdade, deitei no sofá como se não houvesse amanhã e dormi. Aaah aquele sono perdido da manhã inteira, finalmente. 
VEM NI MIM QUE EU QUERO LHE USAR.


Eis que to quase sonhando quando escuto uma voz estranha berrando no meu portão:

OOOOOOOOÔ DE CASA! 

Acordei com aquela cara


MANO QUEM TA CHAMANDO ESSAS HORAS? JUSTO AGORA?!

Deve ser algumas dessas pessoas vendendo alguma coisa. Ou Testemunhas de Jeová. Eles sempre passam por aqui. Vou dormir de novo que eu ganho mais. 

Passado algum tempo, eis que a voz continua e dessa vez um som logo me alerta. 

ALINEEEEEEE! ALINEEEEE! ALINEEEEEE! 

Pera. QUEM TA ME CHAMANDO?


ALINEEEEEEE! ALINEEEEEEE! ALINEEEEEE!

E a voz cada vez aumentava mais. Alias berrava. Não era de alguém que tava me chamando com carinho. Parecia de alguém que tava bem puto. 

Dei aquela olhada breve para ver se reconhecia a cara do FDP que tava me acordando e... 



Pera quem era aquele cara que tava me chamando que eu não fazia ideia quem era? 

Um carro preto, com os vidros pretos parado em frente da minha casa. Um cara com uma cara mais estranha possível berrando desesperadamente como se já me conhecesse a anos. 

PUTA QUE PARIU! EU NÃO FIZ NADA DE ERRADO NESSA VIDA. JURO. 
Não matei ninguém. Não roubei ninguém. Não pulei a catraca. Não comprei nada ilegal. Ajudei uma velhinha na rua. 

OMG. QUEM É VOCÊ? 



Olhei de novo pra ver se reconhecia a cara. E não. Era desconhecido. 
Enquanto isso o berro continuava..

ALINEEEEEEEE ALINEEEEE ALINEEEEEE

MANO, ninguém conhece a minha casa a não ser meus parentes e um amigo. Meu, não é possível. Vou ficar queta aqui na minha e fazer de conta que não tem ninguém. 



Eis que de repente o cidadão entra dentro do carro e vai embora.



Deito novamente, feliz e agradecida por aquele ser ter ido embora. Amém! 

Passa uns dois minutos depois, escuto um barulho de novo.

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O carro volta. O cara desce e grita nervosamente mais alto ainda. 

ALINEEEEEE ALINEEEEE ALINEEEEE ALINEEEE ALINEEEEEE

AI MEU DEUS DO CÉU. SOCORRO. O QUE ESSE CARA QUER COMIGO?
Aonde me escondo? Eu não fiz nada de errado. Sou uma pessoa de Deus. 

Nesse meio tempo, escuto o telefone do cara tocando e ele falando:
-Sim, é esse o endereço mesmo. To aqui em frente da casa agora. 

PUTA QUE PARIU. FODEU. SOS. ALGUÉM ME AJUDA. HEEEEEEEELP




Saio da sala já estado de desespero pleno. Corro pro meu quarto e fecho a porta. 



Enquanto isso o cara continua berrando lá no portão. 

ALINEEEEEEE ALINEEEEEE ALINEEEEEEE

Mano, preciso fazer alguma coisa. 
Pego o telefone já tremendo, ligo pro meu pai.

Chama.... Chama.... Chama... Não atende. 

MEU DEUS DO CÉU. O QUE EU FAÇO MEU DEUS?



Enquanto isso...  ALINEEEEE ALINEEEE ALINEEEE 

Já num estado de desespero completo, ligo para a minha vizinha. 

- Pelo amor de Deus, vê o que esse cara quer aí. EU NÃO CONHEÇO ESTE SER!
- Eu to escutando mesmo. Mas você não conhece? 
- NÃO. TO DESESPERADA JÁ. TO COM MEDO. TREMENDO. CAGANDO
- Pera aí que eu vou chamar meu pai aqui e ver o que é. 

 Nesse meio tempo, ela fica comigo na linha e escuto no fundo. 

"é uma encomenda, assina aqui por favor"

COMO ASSIM ENCOMENDA? Não comprei nada na internet esses dias!



Ela volta pra linha e fala: Line, é uma encomenda da Centauro. Uma mega caixa grande. Tem seus dados aqui. 

Pronto, já pensei na hora. CLONARAM MEU CARTÃO! SOCORRO. 

Depois que o cara foi embora, fui lá buscar a tal encomenda. 

MEU O QUE É ISSO? EU NÃO COMPREI NADA NA CENTAURO! 

Minha vizinha já também preocupada com toda a situação:
Meu, será que é uma bomba? HAHAHAHHA



Abro. Um patins. ué. 

Pego a nota, nome da minha tia. 

Pego o telefone. Mando mensagem pra ela. Ela só me responde uma coisa:

FELIZ ANIVERSÁAAAAAARIO! GOSTOU DO PRESENTE???

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Há Vagas

Quantidade: uma

Início de contratação: Imediato

Cargo: Cargo efetivo de dono do meu coração <3

Pré-requisitos: Gostar de uma pessoa agitada. Que vai aguentar falando 15 mil vezes a mesma coisa quando estiver empolgada com um assunto e falando bem alto ainda. Não se sentir incomodado com uma pessoa que fala absurdamente alto é o requisito básico. Se não cumprir esse requisito pode se dizer que está automaticamente eliminado. Não é preciso ser agitado também, sendo calmo e escutador é aceito também para a vaga.

Acima de tudo, ter que aceitar aventuras de última hora. Nada combinado previamente, isso não funciona bem no sistema da pessoa. A vida com emoção pode ser muito mais surpreendente do que coisas combinadas. Coisas do tipo “vamos na praia amanhã?” “Bora!” Alias gostar de viajar (pra praia então <3) é um requisito que será o grande diferencial. Pode ser pra lugar longe, pra perto, pra conhecido pra desconhecido. Mas como já disse, gostar de aventuras sem medo descobrir novos lugares e novas pessoas. Gostar de conhecer histórias e de contar histórias. Gostar de ser surpreendido.

Deverá ser uma pessoa gente boa, brincalhona e não se importar com brincadeiras e de coisas sem sentido. Afinal, se você está vendo este post perceberá que esta pessoa não pode ser levada muito a sério nas suas brincadeiras. Aceitar que a pretendente dá a vida pelo irmão e que o amor maior sempre será dele. Curtir vida social, mas gostar de ficar em casa assistindo um filminho com pipoca. Não ser briguento, odeio e tenho pavor de brigas/porradas.

Acima de tudo aceitar uma pessoa que não tem horários. Pode ser que o plantão caia justamente naquele feriado prolongado, mas pode ser também que tenha folga na semana. Rotina é uma palavra que não existe no vocabulário da vaga. Aceitar que o jornalismo é uma profissão ingrata, mas que apesar disso a pretendente dá a vida por ela. Aceitar dormir muito tarde, mas também acordar cedo. Bem como não ficar chateado quando acordar com um mega BOM DIA! Nem quando acordar com um “DESLIGA ESSA LUZ PELO AMOR DE DEUS”

Alias esse é um requisito também: Nunca, jamais ligue a luz quando a pretendente estiver acordando. Você receberá uma bela de uma patada logo de manhã. Acorde com carinho e depois disso ligue a luz.

Não se importar com uma pessoa que fale palavrões. Aceite que: no jornalismo é necessário extravasar toda a tensão causada pelo fechamento da matéria, logo falar palavrões é uma forma de acalmar os ânimos. Mas fora disso, alguns palavrões também podem surgir no meio do caminho, mas nada que não possa ser controlado previamente.

Não existe restrição para time de futebol, pode ser até palmeirense. Só não obrigue a usar a camisa do time alheio (a não ser que seja a Lusa <3), realizando isso será dispensado da vaga na hora. Acompanhar em jogos de futebol também será um requisito que poderá levar vantagem sobre os outros.

Poderá ser do signo de aries, touro, gêmeos, capricórnio, aquário, peixes, câncer, libra, sagitário, escorpião, virgem e leão. Não existe restrição astrológica para essa vaga, apenas entendendo os momentos de lua já será aceito.

Pode até gostar de outros ritmos musicais, mas se gostar de rock já abriu larga vantagem sobre os outros candidatos. Se for fã de algumas dessas bandas RHCP, Muse e Arctic Monkeys então, pode se dizer que já passará para segunda fase automaticamente. Caso goste de pagode, samba ou funk ainda dá tempo de mudar para se candidatar a vaga, mudanças são sempre bem-vindas. JAMAIS EM HIPÓTESE ALGUMA critique o NXZero na frente da vaga pretendida, ela uma fã que ama essa banda e caso escute alguma fofoquinha do tipo ”ah, é uma bandinha emo” será demitido por justa causa sem chance de volta.

Gostar de ir em shows também é um pré-requisito básico. Pular até morrer e depois sofrer junto com a rouquidão e dores em todo os lugares do corpo. Melhor sensação. Ir no cinema assistir animação com duzentas crianças do lado (não que outros filmes não possam entrar no cardápio). Gostar de frequentar museus e exposições também é um fator a ser levado em consideração, afinal a vaga é para uma paulistana de carteirinha e registro.

Ah, não menos importante, o candidato não poderá ser dessa modinha de batata doce e fitness. A vaga é para uma pessoa que aceite comer no Mcdonald’s quando der vontade sem medo de ser feliz. É até aceito pessoas que seja deste mundo, mas que não publique fotos no facebook no espelho da academia nem escreva diariamente “Treino pesado hoje” ou “No pain no gain”. Isso fará com que desperte os sentimentos de mais raiva possível no coração da vaga pretendida.

Não gostar de apelidinhos melosos. Se surgir um bebe, mozão, mozin e afins tomará uma bela patada de “deixa de ser gay”. No máximo um amor já está de bom tamanho. Mas antes de tudo, não ser uma pessoa preconceituosa. Preconceito é outra palavra que JAMAIS entrará no vocabulário da pessoa em questão. Se surgir alguma faísca sequer de preconceito será demitido também por justa causa, essa então sem nem chance de ser amigo após o fato.

Caso você leu até aqui e viu que se encaixou nos requisitos, poderá se considerar um guerreiro. Afinal esse tanto de coisa e não desistir no terceiro parágrafo já uma prova que tem persistência nos objetivos da vida.

Caso ainda queira levar adiante poderá enviar seu currículo via Whatsapp, chat do face, Instagram, comentários no post ou email, como preferir. Assim será convocado para entrevista.

PS: Antes de tudo perceba que este post não passa de uma mega brincadeira que copiei da Tatiane Santana no facebook, mas caso veja se interessou nos requisitos, quem sabERROR>>>>>@@@$$$%%%

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O som do Metrô

Estava devendo esse post faz teeempo! Por fim, lembrei e irei de contar a devida história.

Tudo começa no dia 26 de março, quando minha pauta caiu.
Era um trabalho de AudioJornalismo e a fonte principal que eu iria entrevistar deu bolo. Tudo isso, a 4 dias da entrega do trabalho. Choro, desespero, depressão. SOS

Mando mensagem pra minha dupla, para compartilhar o desespero:

Aline diz: Camila, o que a gente faz agora?
Camila diz: Não sei, não tenho ideia nenhuma
Aline diz: E agora?!"
Camila diz: NÃO SEI! OMG

Entro no facebook para ver se tinha alguma ideia e acho o seguinte post:


No mesmo momento, tiro um print no celular e envio pra ela numa felicidade que não cabia em mim. 

Aline diz: Camila achei uma puta pauta, bora? 
Camila diz: BORA! 

Saí da faculdade, encontrei ela e fomos em busca da nossa esperança. 
Descemos na estação Tatuapé e levo o primeiro susto: Cadê o som????? 
Procurei e encontrei! Lá estava! Só que não tinha começado ainda. Mal sabia o que estava por vir. 
Chamei o maestro de canto e expliquei minha bela causa: 

"Sou uma estudante desesperada, em busca de um trabalho em desespero também. Pode me dar uma entrevista PELO AMOR DE DEUS?" 

Ele olhou pra mim, pensou e só respondeu "No final do show, pode ser?" 
"PODE CLARO FICO AQUI ATÉ O FINAL" 

E assim começou a maior surpresa da minha vida. 

O fato de terem começado com a musica Happy já me animou de cara. O que era aquilo??
Aos poucos a multidão foi chegando e aquilo foi se tornando pra mim um pré-Lollapalooza.
O que eu presenciei foi um som de altissíma qualidade, com uma felicidade que não cabia no sorriso de cada integrante da banda. 

A BSM (Banda dos Seguranças do Metrô) como o próprio nome já diz, é formada por seguranças do metrô - sim aqueles de roupa preta de ficam nas plataformas- 
Foi formada em 2011 por uma iniciativa pessoal de alguns integrantes para sair um pouco da rotina pesada diária. 

E o som é para agradar todos os gêneros musicas sem tirar nem colocar. 
O repertório vai desde Gospel ao Rock, com direito até a Led Zeppelin. Som de alta categoria!
Porém o mais impressionante é a Opera. 
O vocalista Costa Lima tem uma voz que é sem maior explicação, só escutando pra acreditar. 


(o som não é dos melhores, mas dá pra ter uma noção. E é uma pessoa só cantando)

Escutei Mulher de Fases, Anna Julia, Beat it, Exagerado. Tudo e um pouco mais.
E para minha maior surpresa, em frente ao palco tinha um FÃ CLUBE que os acompanha em todas as apresentações. Um sucesso total.

Com pouco menos de duas horas, um grupo de seguranças conseguiu mudar o restante de dia de várias pessoas que só passavam por ali.
Pulei, suei e gritei até mais que no próprio Lollapalooza que fui três dias depois. E sabe o que é melhor? Não precisei pagar nada para ser feliz por algumas horas.

E bom, depois dessa maior surpresa da minha vida, virei fã também.
Me deu esperança de que ainda existem coisas boas nesse mundo. Nessa cidade maluca que não para um segundo. E sim, no lugar que eu menos esperei, naquele lugar onde eu passo todos os dias. No metrô.

Sendo assim, fica só a recomendação. Porque é impossível explicar algo que só é possível ser entendido se visto.
A agenda deles encontra-se no facebook BSM-Banda dos Seguranças do Metrô, e o próximo show é no dia 14 de Maio na estação Brás. (Imagina o tanto de gente que vai ter, omg! Mas vale a pena!)



E ah, o que aconteceu com o meu desespero?
Pode ser conferido agora!

sábado, 4 de abril de 2015

Luz, Câmera, Viva LollaPalooza!

Admito que sou a pessoa menos apta pra falar sobre isso. 

Em sua quarta edição, com uma bela experiencia com grandes nomes da música, este foi o meu primeiro. 

Literalmente, a realização de um sonho pessoal. 



Luara Kamiya


Sendo assim, o que vou dizer pode soar puramente parcial e inocente. Mas esta é intenção. Mostrar como uma marinheira de primeira viagem viu, sentiu e percebeu cada detalhe dessa grande festa. 

Pois bem, primeiro detalhe sobre o Lolla: Disposição. 
É necessária uma grande, mega, enorme disposição pra aguentar tudo o que oferecido. O que mais cansa não pular por duas horas seguidas durante um show, e sim andar o dia inteiro trocando de um palco para outro para ver os shows principais. E que fique claro, são três principais - veja mapa abaixo -(Skol, o maior; Ônix, um pouco menor mas com uma visão maravilhosa e Axe, o menor e mais distante dos outros dois. Além de claro, o Palco Perry dedicado apenas a musica eletrônica) 
Isso porque ainda eu fui apenas em um dia (no domingo), quem vai nos dois é quase uma maratona. 
Fora as atrações a parte. Montanha russa, pista de patinação, intervenções, etc.


Divulgação/Lollapalooza



















A distancia é até entendida, para não haver interferência de som entre um palco e outro, mas cansativo. Os dois principais (Skol e Ônix), intercalam os shows com uma diferença entre ambos de APENAS 5 minutos. Resultado: Uma correria insana de pessoas querendo um bom lugar para ver o show seguinte.
Isso, quando não começa antes de acabar o show. Faltando uns 10 minutos para o final de um show, já se percebe um fluxo de pessoas indo em direção ao outro palco. Se você pretende ver um show até o final, certeza que o próximo verá de bem longe. 
(Como aconteceu comigo. NENHUM eu vi da grade. Vi de uma distancia razoável, sendo possível ver o rosto do artista, o que já é um privilégio visto ao montante de pessoas naquele local)

Segundo detalhe, tão importante ou mais que o primeiro: Preços. 
O susto já começa pelo preço do ingresso. 170 a meia (340 a inteira) para cada dia. 
Mas até aí, você paga com a justificativa de estar indo ver no mínimo umas 5 bandas num mesmo dia. OK. Paguei, fui e não me arrependo. 
Mas o susto maior, é lá dentro. 
É um absurdo, sim com essas palavras, ter que desembolsar 5 reais por um copo de água de 300 ml. (E detalhe, não pode levar)
E mais, R$ 7,50 por uma latinha de refrigerante. 10 reais por um Chopp. 
E o pior, no mínimo uns 20 reais um por lanche (gostoso? sim.) mas nem tão grande pra quem vai passar o dia inteiro lá. 
São preços surreais para pouco conteúdo. Podem até cobrar caro, mas que seja compartível com o tamanho. 

E nessa nova moeda própria os "mangos", sendo que cada mango vale R$ 2,50, acaba por mascarar os verdadeiros preços. 
Você paga 8 mangos num lanche. Mas na verdade está pagando 20 reais. Disfarce puro.


Luara Kamiya









Tem que estar preparado o bolso. 





Mas fora esse detalhe, tudo muito bem organizado. Os FoodTrucks bem colocados e o "Chef Stage" apesar de um pouco requintado para a ocasião, sai como uma boa alternativa pra quem é meio chato (como eu) com comida. 
E apesar de ter presenciado cenas de total loucura nos estandes de bebidas (ao ponto da parte da frente estar quebrando e um funcionário estar segurando para o estande não ser invadido, além de intensas brigas sobre chopp com dez dedos de colarinho), é até entendido pelo (preço x a obrigação de qualidade) e o grande numero de pessoas presentes ao mesmo tempo. 

Terceiro detalhe: Transporte
Uma coisa que me surpreendeu bastante foi o acesso.
Literalmente, esperava um tumulto completo. E nesse ponto, me equivoquei. 
Fui de carro e voltei de trem.
Na ida não peguei sequer um metro de trânsito. Como não tinha o tíquete de acesso ao autódromo, fui deixada um pouco antes e andei até a entrada. Tudo sinalizado, organizado e sem problemas.

Na volta, me preveni equivocadamente. 
Saí do autódromo, exatamente as 21 hrs. Sim, fiquei com medo de pegar tumulto no trem e saí mais cedo. Não, não vi "Happy"
E o que eu vi, foram ruas muito bem sinalizadas, vigiadas e ao chegar no trem, não peguei nem cinco pessoas na minha frente pra passar na catraca. 
Um amor só.  
E a distancia do trem até a estação, é perto, mas nem tanto. Foi uma caminhada de no minimo uns 20 min contando só a rua. Fora o tanto que se tem que andar dentro do autódromo ainda pra chegar até o portão de saída. Total: uns 40 min fácil. 

Agora vamos ao principal, os shows. 
Como lá é um show atrás do outro, consegui ver apenas 6. 

Far From Alaska, Molotov, O Terno, The Kooks, Foster the People e Calvin Harris.


Far From Alaska.


Foto: Raphael Dias/Gshow

















Primeiro show que eu vi no dia, já peguei quando estava no finalzinho logo quando cheguei, mas tive uma bela impressão. 
Com sons arranhados e uma voz bem forte, o grupo do Rio Grande de Norte (mas que na hora da musica mesmo, não tinha sotaque NENHUM) mandou MUITO, até conseguindo me surpreender logo de cara.  A vocalista Emmily Barreto que se mostrava bem "em casa" conseguiu levantar a galera logo as 11:30 manhã. 


Molotov. 
Foto: Rodrigo Antônio/VEJA













A Banda mexicana, com um som bem diferente daquilo que eu escuto normalmente, me deixou com um gostinho "esperava mais". 
Não me empolgou o suficiente pra dizer que gostaria de ir novamente em um show deles. Uma pena, pois o ritmo era muito bom e a animação do publico também (o que mais me surpreendeu nesse show foi a grande quantidade de mexicanos que eu vi presente em frente ao palco e correndo para ver o show. Quando saí pra ir para o próximo show, vi vários correndo enlouquecidamente rumo a frente e cantando de cor e salteado as musicas) 
Pode ser que a aqui no Brasil não tenha tanto nome ainda, mas pelo menos no México parece que tem bastante. 
Ah, e outra coisa! O vocalista conseguiu a legítima proeza de cantar o rock mexicano com um belo cigarro na boca - não deixou cair!


O Terno.


Sofia Caroline 

















Admito que não conhecia absolutamente nada desta banda. Fui influenciada por uma amiga, e quando cheguei lá vi uma legião de fãs cantando as musicas como se não houvesse amanhã. 
Me conquistou logo de cara por uma capa amarela - quase um uniforme - mas que em meio a chuva parecia até escolhida para aquele momento em especial (ou será que foi mesmo?) 
Com um show que me lembrava claramente uma mistura de Beatles com algumas musicas do Arctic Monkeys, me conquistou por uma combinação de letras bem colocadas e temas que conquistam.
Acho que me desligou um pouco do rock mais dançante que eu escuto diariamente, ao mesmo tempo com um ritmo rápido, mas a mesmo tempo devagar (como explicar isso?) que qualquer um acompanhava (mesmo quem não conhecia como eu)





Recomendo. 


The Kooks.


Aline Oliveira
Divulgação/T4F



























Um dos shows mais esperados do dia, apesar de já conhecer a banda, pouco sabia das musicas. 
O "sambinha" dançado pelo vocalista Luke Pritchard, deixava qualquer um conquistado pelo carisma logo de cara. 
Num dia que o Line up não tinha um GRANDE nome da musica indie, o The Kooks conseguiu conquistar esse posto sem muito esforço. E com louvor. 
Achei que foi pouco tempo de show (apenas uma hora), pelo apresentado e pela empolgação do publico, chegaria numa duas horas ali fácil. 
Com um legítimo indie, acho que fui conquistada até pela semelhança com o Arctic Monkeys (minha paixão <3).
Souberam interagir muito bem com público, levantando qualquer um que estivesse parado. Fiquei com um OoOoOo (dessa musica logo abaixo) uns três dias na cabeça de tanto que eu aproveitei o show. 





Minha prima (que foi comigo) voltou sem voz desse show, acho que isso já resume. 


Foster the People
Renata Avelar 




















Pessoas irão me criticar até o fim da vida depois desse breve comentário que farei, MAS apesar de muito esperado, não atendeu ao meu esperado. 
Entre The Kooks e Foster, gostei MUITO mais do primeiro show. 
Acho que até pelo grande numero de pessoas lá, vi o show bem de longe e ainda assim não vi tanta animação como vi no The Kooks. 
Com um ritmo de musica bem diferente do anterior, acho que me causou uma má impressão justamente por isso. 
Pelo pouco que acompanhei do telão e no som, não senti o vocalista Mark Foster tão "solto" e livre como percebi no Luke. 
E outra, antes de ir para o Lolla, tinha dado aquela pesquisada básica no youtube e tinha gostado das musicas, mas ao vivo não vi tudo o que esperei.
Acho que foi o problema foi expectativa demais (por serem da Califórnia como o RHCP, por terem um ritmo dançante e musicas meio chicletes, que tinha me conquistado somente pelo youtube). 
Uma pena, porque sim, é uma ótima banda. 

Calvin Harris

Sem duvida, pra mim, o show que valeu o ingresso. 
Um homem só que levantou o Lolla inteiro. 
LITERALMENTE vi uma MULTIDÃO pulando ao mesmo tempo ao som de Summer. Parecia até um conjunto de malucos tamanha loucura de gente pulando a cada levantada de publico que o DJ fazia. 



video

Com um show pirotécnico de luzes, fumaça, papel picado, serpentinas, fogo........... a cada refrão de música, levantava o publico (falando um português que ninguém entendia SÃO PAULO! PUT YOUR HAAAAANDS!! LET'S GO!!!!!!) - acho que nesse vídeo aí de cima dá pra ter uma noção - e não deixou a desejar pra ninguém. 
Transformou o palco Ônix numa grande balada a céu aberto com legítimo louvor. 
Não deixou nenhum single para trás. Summer, Feel So Close, Blame. TODOS.
Interagiu com o publico COMO NINGUÉM, ao ponto de parar a musica e deixar a multidão cantar. E pensando pelo lado que era musica eletrônica, é uma mudança do extremo barulho pro extremo "silencio". 
A unica coisa que tenho a reclamar, era o volume. MUITO, MAS MUITO MUITO alto. Nenhum show do dia todo esteve tão alto, ao ponto de literalmente estourar os tímpanos quando era uma musica de timbre mais agudo. Se era parte da estratégia de levantar o publico e deixar todo mundo doido, ele conseguiu. Mas que eu fiquei com um zumbido no ouvido por uns dois dias, eu fiquei.  



video

Mesmo não sendo uma legítima fã de musica eletrônica, saí de lá suada, rouca, surda, com o cabelo todo zuado, mas realizada. 
(E nem preciso comentar da beleza do DJ né? ótimo.)

O show que eu estava esperando ver, não vi que era o Pharell. Após o show do Calvin Harris a multidão saiu ao mesmo tempo (até porque era o penúltimo show da noite e o ultimo daquele palco) e ninguém andava mais pelo autódromo. Pior que Sé as 6 da tarde. 
Acompanhei o começo do show somente de longe e preferi ir embora. Porque depois da balada com um som altíssimo; pernas, ouvidos e voz não aguentavam mais. 



O LollaPalooza já é um consagrado festival daqui de Sampa, pelos grandes nomes da musica e pela organização. 
Nunca tinha ido e agora virei uma fã. Espero o ano que vem estar lá de novo, e com alguma banda que eu realmente seja fã. Porque se mesmo não sendo fã legítima de nenhuma, aproveitei como se fosse o último. 

Obrigada Lolla! 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A história de um simples morador, ou de um bairro?

Seu Geraldo é uma daquelas típicas pessoas que viu a cidade mudar. Morador do bairro da Guilhermina há mais de 50 anos, vive ainda na mesma casa desde que casou. Hoje já um pouco debilitado, e com um problema no joelho não consegue fazer mais, o que considerava como seu divertimento diário: Conversar com os amigos.

Todo dia de manhã, ele levantava e ia rumo ao mesmo ponto desde jovem, ver e rever aqueles que eram seus companheiros de velha data. Com disposição, encarava o frio e o calor e ficava lá, cerca de duas horas apenas mantendo a tradição.

-Conversava sobre tudo. Futebol, comentar a rodada do final de semana, falando mal dos outros...

Colegas de clube e de rua, ele e mais um grupo de seis ou sete pessoas, todos amigos desde a infância, ficavam vendo e discutindo toda a evolução do bairro nesses anos.

-Aqui só tinha a minha casa, ali na rua de cima, e alguma outras... o resto era tudo mato. – diz, rindo da situação.

Logo quando começou a morar no bairro, na década de 40, eram poucas as condições de moradia. O bairro havia sido criado na década de 20, e ainda restavam grandes lotes de terra a serem exploradas. Porém, em meio a esse próspero local passava uma linha de trem, famosa na época que ligava São Paulo ao Rio e era caminho para as principais autoridades. A Central do Brasil.



-Na época da Guerra, os pracinhas passavam indo pro Rio de Janeiro  e acenavam para a gente, e todo se reunia em volta da estação pra ver.

Época que mais tem lembranças. Conta, com certo arrependimento nos olhos, ou até mesmo uma lembrança que prefere esquecer, o tempo da guerra. Foi expulso da escola quando criança, por um motivo, hoje, um tanto quanto inocente e até mesmo difícil de ser calculado como discórdia.

-A professora tinha saído da sala, e nos estávamos conversando. Até que eu falei alto “Viva o Eixo!”, fui expulso por ter falado isso.

Escutava pelo rádio tudo o que passava pelo mundo. Época de ouro do rádio. Das telenovelas ás noticias da guerra. Era o seu único meio de informação. Fora o trem que volta e meia trazia uma informação nova.

Mas continuou ali no bairro e foi obrigado a mudar de escola para uma particular, pois nenhuma pública o aceitava mais depois do tal fato. Os pais tiveram uma grande dificuldade para mantê-lo,o que o obrigou a trabalhar cedo para ajudar. Quase uma brincadeira, que levou algo sério.

Ainda assim gosta de onde mora. Chegou lá por volta dos 10 anos de idade, e brincava na rua, como uma cidade de interior, mas numa cidade grande. Futebol, pega-pega, caçar coisas nos matagais que existia por perto, além da sua atividade preferida: ir aos clubes.
Dois eram os mais famosos no bairro. Lá fazia aquilo que era seu divertimento quase que semanal. Ir ao pesqueiro, passar a tarde inteira lá, seja se divertindo, seja “flertando”. Ou até mesmo, brincar. Como preferir.

-Ah, falar das mocinhas...

Aquele grupo de rapazes reunidos, com o mesmo propósito. Ficar mantendo a amizade, uma vez mais viva do que os dias atuais. Passa boa parte de sua infância/adolescência ali. E ainda lembra dos detalhes de cada um até hoje. Ensina com um brilho nos olhos os locais onde ficam localizados. Sem perguntar muito explica:

-Um ficava mais perto lá da estação. O outro, ficava ali chegando perto da Patriarca. Existe até hoje! Vai lá pra você ver como é legal!

 Até que, comete mais um deslize na sua vida. É expulso do clube. O motivo?

-Aprontei demais, era um menino levado...

Assim, lhe restou de diversão a rua. Que começava a se desenvolver, poucos anos depois do fim da guerra e dos últimos loteamentos das terras. Surgia, o que lhe trás um sorriso no rosto. Os campeonatos de futebol.

Era bairro contra bairro. Time contra time. Vizinho contra vizinho. E o que valia? A amizade, a rivalidade, o espírito de vitória. Aquela sensação de poder tirar o sarro do melhor amigo na disputa. Formavam-se os times com aqueles que eram os melhores e os piores. E assim começava a disputa.

Ia até os campinhos de terra do bairro vizinho, a lá disputava cada jogo como se fosse o ultimo. Se ganhasse, era o time mais reconhecido. E também, aqueles rapazes eram que tinham o prestígio de poder flertar as mocinhas mais desejadas. Um privilégio.

A fase mais curtida passa, como tudo na vida. Casa-se em 1954, tem filhos e muda de casa. Não muito longe, da rua de cima para rua de baixo. Uma diferença? Era do lado da casa da sogra.

Ali constrói sua família. Mora até hoje, no mesmo local, com o filho, este que o cuida. Mudança de favores. Hoje, Silvio, seu filho é quem faz tudo por ele e mantém um pequeno comércio na praça do bairro, bem próximo a sua casa. Tudo bem junto, como antigamente, como numa pequena cidade ou um pequeno bairro.

Porém, os amigos ainda permaneceram. Ou permaneciam. Dos seis, restam apenas três. O resto o destino acabou por leva-los.

-Resta apenas eu que mal consigo andar mais, e o Neu que volta e meia ele aparece ali no bar. O Paschoal ficou “xarope da cabeça” e se mudou daqui. – diz um tom irônico.

Seu Neu era o novato no grupo. Chegou depois somente nos encontros das manhãs apenas para manter o bom convívio.

-Ah ele está sempre ali no bar, mas é meio maluco também. Vira e mexe some e depois reaparece – diz Sílvio, filho de Geraldo.

O filho, hoje conta as histórias de um passado mais recente, porém sempre relembrando a mudança ocorrida no bairro. Como o pai, cresceu e vive ali no mesmo local de sempre. Na mesma casa.

-Eram poucas casas aqui. Hoje mudou muito. Depois da chegada do metrô tudo aqui mudou. Não dependíamos mais somente do trem. Me lembro de que quando era pequeno, brincava na rua também como meu pai. Sai a por aí, curtindo os clubes do bairro também. Para passar do outro lado do bairro, não existia o viaduto que existe hoje. Era uma passagem de nível, a porteira abria e fechava para os carros. Tudo bem diferente.


Sílvio não pensa em sair do bairro também. Gosta do local onde mora. Como o pai. Como todos os amigos que ainda restam ali e fazem acontecer a transformação da cidade. 
Mantém a tradição de se parecer uma cidade pequena, um bairro do subúrbio, mas com ares de prosperidade numa grande metrópole. Essa é a grande diferença. Isso é o que faz encantar, o que faz se sentir bem naquele lugar. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Respeitável Público!

Centro de Memória do Circo resgata a magia dos picadeiros em exposição permanente na Galeria Olido para a alegria de adultos e crianças

O Largo do Paissandu foi por muitos anos o ponto de encontro dos circenses; já foi até chamado de "Largo do circo". No século XIX, a atração mais visitada pelos circenses eram os picadeiros instalados no local, onde palhaços de vários circos faziam suas apresentações. Mas foi Piolin, com suas piadas sobre o cotidiano paulistano, que conquistou a cidade e até virou nome de rua. Em 1975, a famosa "Travessa Paissandu" passou a se chamar Rua Alberto Pinto em homenagem a ele. Agora, o famoso palhaço tem um espaço especial no Centro de Memória do Circo, instalado na Galeria Olido, em frente ao Largo.




        A exposição permanente “Hoje tem Espetáculo’’ apresenta toda a história do circo por meio de fotos, maquetes de picadeiros, roupas e acessórios mais utilizados pelos circenses. A Galeria disponibiliza duas áreas para essa exposição, uma se localiza no primeiro piso, onde a história é contada por meio de uma maquete interativa ligada a um painel de textos e fotos. Na sobreloja, estão as atrações principais, como uma minibicicleta e outros objetos usados nas palhaçadas.

















        O Centro de Memória do Circo, único no Brasil,  foi inaugurado em 2009 por Verônica Tamaoki e Rogê Avanzi, filho do fundador do “Circo Nerino”, com a proposta de resgatar a sensação de nostalgia e alegria dos picadeiros.
As dificuldades de sobrevivência dos circos em grandes cidades como São Paulo tornam ainda mais importantes espaços como o da Galeria Olido, que não deixam o circo morrer.  “Não há uma arte que sobreviva sem seguidores”, afirma Rodrigo Marques, educador da exposição, que busca mostrar aos visitantes a magia dos picadeiros. Ao contrário de outras exposições, que fecham às segundas-feiras, o Centro de Memória Circense permanece aberto neste dia justamente para receber os artistas de circo em sua folga semanal. A Galeria está tentando resgatar o antigo Café dos Artistas, que, no passado, foi ponto de encontro dos circenses nos dias de folga. 



O Centro de Memória do Circo fica aberto ao público de segunda à sexta-feira, das 10h às 20h (exceto às terças), e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 20h. Fica localizado ao lado da Galeria do Rock, pela entrada da Av. São Jõao. A entrada é gratuita.