sábado, 4 de abril de 2015

Luz, Câmera, Viva LollaPalooza!

Admito que sou a pessoa menos apta pra falar sobre isso. 

Em sua quarta edição, com uma bela experiencia com grandes nomes da música, este foi o meu primeiro. 

Literalmente, a realização de um sonho pessoal. 



Luara Kamiya


Sendo assim, o que vou dizer pode soar puramente parcial e inocente. Mas esta é intenção. Mostrar como uma marinheira de primeira viagem viu, sentiu e percebeu cada detalhe dessa grande festa. 

Pois bem, primeiro detalhe sobre o Lolla: Disposição. 
É necessária uma grande, mega, enorme disposição pra aguentar tudo o que oferecido. O que mais cansa não pular por duas horas seguidas durante um show, e sim andar o dia inteiro trocando de um palco para outro para ver os shows principais. E que fique claro, são três principais - veja mapa abaixo -(Skol, o maior; Ônix, um pouco menor mas com uma visão maravilhosa e Axe, o menor e mais distante dos outros dois. Além de claro, o Palco Perry dedicado apenas a musica eletrônica) 
Isso porque ainda eu fui apenas em um dia (no domingo), quem vai nos dois é quase uma maratona. 
Fora as atrações a parte. Montanha russa, pista de patinação, intervenções, etc.


Divulgação/Lollapalooza



















A distancia é até entendida, para não haver interferência de som entre um palco e outro, mas cansativo. Os dois principais (Skol e Ônix), intercalam os shows com uma diferença entre ambos de APENAS 5 minutos. Resultado: Uma correria insana de pessoas querendo um bom lugar para ver o show seguinte.
Isso, quando não começa antes de acabar o show. Faltando uns 10 minutos para o final de um show, já se percebe um fluxo de pessoas indo em direção ao outro palco. Se você pretende ver um show até o final, certeza que o próximo verá de bem longe. 
(Como aconteceu comigo. NENHUM eu vi da grade. Vi de uma distancia razoável, sendo possível ver o rosto do artista, o que já é um privilégio visto ao montante de pessoas naquele local)

Segundo detalhe, tão importante ou mais que o primeiro: Preços. 
O susto já começa pelo preço do ingresso. 170 a meia (340 a inteira) para cada dia. 
Mas até aí, você paga com a justificativa de estar indo ver no mínimo umas 5 bandas num mesmo dia. OK. Paguei, fui e não me arrependo. 
Mas o susto maior, é lá dentro. 
É um absurdo, sim com essas palavras, ter que desembolsar 5 reais por um copo de água de 300 ml. (E detalhe, não pode levar)
E mais, R$ 7,50 por uma latinha de refrigerante. 10 reais por um Chopp. 
E o pior, no mínimo uns 20 reais um por lanche (gostoso? sim.) mas nem tão grande pra quem vai passar o dia inteiro lá. 
São preços surreais para pouco conteúdo. Podem até cobrar caro, mas que seja compartível com o tamanho. 

E nessa nova moeda própria os "mangos", sendo que cada mango vale R$ 2,50, acaba por mascarar os verdadeiros preços. 
Você paga 8 mangos num lanche. Mas na verdade está pagando 20 reais. Disfarce puro.


Luara Kamiya









Tem que estar preparado o bolso. 





Mas fora esse detalhe, tudo muito bem organizado. Os FoodTrucks bem colocados e o "Chef Stage" apesar de um pouco requintado para a ocasião, sai como uma boa alternativa pra quem é meio chato (como eu) com comida. 
E apesar de ter presenciado cenas de total loucura nos estandes de bebidas (ao ponto da parte da frente estar quebrando e um funcionário estar segurando para o estande não ser invadido, além de intensas brigas sobre chopp com dez dedos de colarinho), é até entendido pelo (preço x a obrigação de qualidade) e o grande numero de pessoas presentes ao mesmo tempo. 

Terceiro detalhe: Transporte
Uma coisa que me surpreendeu bastante foi o acesso.
Literalmente, esperava um tumulto completo. E nesse ponto, me equivoquei. 
Fui de carro e voltei de trem.
Na ida não peguei sequer um metro de trânsito. Como não tinha o tíquete de acesso ao autódromo, fui deixada um pouco antes e andei até a entrada. Tudo sinalizado, organizado e sem problemas.

Na volta, me preveni equivocadamente. 
Saí do autódromo, exatamente as 21 hrs. Sim, fiquei com medo de pegar tumulto no trem e saí mais cedo. Não, não vi "Happy"
E o que eu vi, foram ruas muito bem sinalizadas, vigiadas e ao chegar no trem, não peguei nem cinco pessoas na minha frente pra passar na catraca. 
Um amor só.  
E a distancia do trem até a estação, é perto, mas nem tanto. Foi uma caminhada de no minimo uns 20 min contando só a rua. Fora o tanto que se tem que andar dentro do autódromo ainda pra chegar até o portão de saída. Total: uns 40 min fácil. 

Agora vamos ao principal, os shows. 
Como lá é um show atrás do outro, consegui ver apenas 6. 

Far From Alaska, Molotov, O Terno, The Kooks, Foster the People e Calvin Harris.


Far From Alaska.


Foto: Raphael Dias/Gshow

















Primeiro show que eu vi no dia, já peguei quando estava no finalzinho logo quando cheguei, mas tive uma bela impressão. 
Com sons arranhados e uma voz bem forte, o grupo do Rio Grande de Norte (mas que na hora da musica mesmo, não tinha sotaque NENHUM) mandou MUITO, até conseguindo me surpreender logo de cara.  A vocalista Emmily Barreto que se mostrava bem "em casa" conseguiu levantar a galera logo as 11:30 manhã. 


Molotov. 
Foto: Rodrigo Antônio/VEJA













A Banda mexicana, com um som bem diferente daquilo que eu escuto normalmente, me deixou com um gostinho "esperava mais". 
Não me empolgou o suficiente pra dizer que gostaria de ir novamente em um show deles. Uma pena, pois o ritmo era muito bom e a animação do publico também (o que mais me surpreendeu nesse show foi a grande quantidade de mexicanos que eu vi presente em frente ao palco e correndo para ver o show. Quando saí pra ir para o próximo show, vi vários correndo enlouquecidamente rumo a frente e cantando de cor e salteado as musicas) 
Pode ser que a aqui no Brasil não tenha tanto nome ainda, mas pelo menos no México parece que tem bastante. 
Ah, e outra coisa! O vocalista conseguiu a legítima proeza de cantar o rock mexicano com um belo cigarro na boca - não deixou cair!


O Terno.


Sofia Caroline 

















Admito que não conhecia absolutamente nada desta banda. Fui influenciada por uma amiga, e quando cheguei lá vi uma legião de fãs cantando as musicas como se não houvesse amanhã. 
Me conquistou logo de cara por uma capa amarela - quase um uniforme - mas que em meio a chuva parecia até escolhida para aquele momento em especial (ou será que foi mesmo?) 
Com um show que me lembrava claramente uma mistura de Beatles com algumas musicas do Arctic Monkeys, me conquistou por uma combinação de letras bem colocadas e temas que conquistam.
Acho que me desligou um pouco do rock mais dançante que eu escuto diariamente, ao mesmo tempo com um ritmo rápido, mas a mesmo tempo devagar (como explicar isso?) que qualquer um acompanhava (mesmo quem não conhecia como eu)





Recomendo. 


The Kooks.


Aline Oliveira
Divulgação/T4F



























Um dos shows mais esperados do dia, apesar de já conhecer a banda, pouco sabia das musicas. 
O "sambinha" dançado pelo vocalista Luke Pritchard, deixava qualquer um conquistado pelo carisma logo de cara. 
Num dia que o Line up não tinha um GRANDE nome da musica indie, o The Kooks conseguiu conquistar esse posto sem muito esforço. E com louvor. 
Achei que foi pouco tempo de show (apenas uma hora), pelo apresentado e pela empolgação do publico, chegaria numa duas horas ali fácil. 
Com um legítimo indie, acho que fui conquistada até pela semelhança com o Arctic Monkeys (minha paixão <3).
Souberam interagir muito bem com público, levantando qualquer um que estivesse parado. Fiquei com um OoOoOo (dessa musica logo abaixo) uns três dias na cabeça de tanto que eu aproveitei o show. 





Minha prima (que foi comigo) voltou sem voz desse show, acho que isso já resume. 


Foster the People
Renata Avelar 




















Pessoas irão me criticar até o fim da vida depois desse breve comentário que farei, MAS apesar de muito esperado, não atendeu ao meu esperado. 
Entre The Kooks e Foster, gostei MUITO mais do primeiro show. 
Acho que até pelo grande numero de pessoas lá, vi o show bem de longe e ainda assim não vi tanta animação como vi no The Kooks. 
Com um ritmo de musica bem diferente do anterior, acho que me causou uma má impressão justamente por isso. 
Pelo pouco que acompanhei do telão e no som, não senti o vocalista Mark Foster tão "solto" e livre como percebi no Luke. 
E outra, antes de ir para o Lolla, tinha dado aquela pesquisada básica no youtube e tinha gostado das musicas, mas ao vivo não vi tudo o que esperei.
Acho que foi o problema foi expectativa demais (por serem da Califórnia como o RHCP, por terem um ritmo dançante e musicas meio chicletes, que tinha me conquistado somente pelo youtube). 
Uma pena, porque sim, é uma ótima banda. 

Calvin Harris

Sem duvida, pra mim, o show que valeu o ingresso. 
Um homem só que levantou o Lolla inteiro. 
LITERALMENTE vi uma MULTIDÃO pulando ao mesmo tempo ao som de Summer. Parecia até um conjunto de malucos tamanha loucura de gente pulando a cada levantada de publico que o DJ fazia. 



video

Com um show pirotécnico de luzes, fumaça, papel picado, serpentinas, fogo........... a cada refrão de música, levantava o publico (falando um português que ninguém entendia SÃO PAULO! PUT YOUR HAAAAANDS!! LET'S GO!!!!!!) - acho que nesse vídeo aí de cima dá pra ter uma noção - e não deixou a desejar pra ninguém. 
Transformou o palco Ônix numa grande balada a céu aberto com legítimo louvor. 
Não deixou nenhum single para trás. Summer, Feel So Close, Blame. TODOS.
Interagiu com o publico COMO NINGUÉM, ao ponto de parar a musica e deixar a multidão cantar. E pensando pelo lado que era musica eletrônica, é uma mudança do extremo barulho pro extremo "silencio". 
A unica coisa que tenho a reclamar, era o volume. MUITO, MAS MUITO MUITO alto. Nenhum show do dia todo esteve tão alto, ao ponto de literalmente estourar os tímpanos quando era uma musica de timbre mais agudo. Se era parte da estratégia de levantar o publico e deixar todo mundo doido, ele conseguiu. Mas que eu fiquei com um zumbido no ouvido por uns dois dias, eu fiquei.  



video

Mesmo não sendo uma legítima fã de musica eletrônica, saí de lá suada, rouca, surda, com o cabelo todo zuado, mas realizada. 
(E nem preciso comentar da beleza do DJ né? ótimo.)

O show que eu estava esperando ver, não vi que era o Pharell. Após o show do Calvin Harris a multidão saiu ao mesmo tempo (até porque era o penúltimo show da noite e o ultimo daquele palco) e ninguém andava mais pelo autódromo. Pior que Sé as 6 da tarde. 
Acompanhei o começo do show somente de longe e preferi ir embora. Porque depois da balada com um som altíssimo; pernas, ouvidos e voz não aguentavam mais. 



O LollaPalooza já é um consagrado festival daqui de Sampa, pelos grandes nomes da musica e pela organização. 
Nunca tinha ido e agora virei uma fã. Espero o ano que vem estar lá de novo, e com alguma banda que eu realmente seja fã. Porque se mesmo não sendo fã legítima de nenhuma, aproveitei como se fosse o último. 

Obrigada Lolla! 

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